Ronco e Apneia – O maior mal é silencioso e tem tratamento.
fevereiro 22, 2010 at 3:26 pm Deixe um comentário

O ronco e a apneia se caracterizam como distúrbios do sono que vem afetando grande parcela da população mundial, sendo mais presente nos homens que nas mulheres e na faixa dos 30 aos 60 anos. Com relação ao gênero, na faixa etária de 20 a 30 anos a proporção é de 3 homens para uma mulher e para a faixa etária de 40 a 50 anos esta proporção se torna 1:1.
O ronco é uma ventilação sonora causada por vibrações dos tecidos do palato mole e faringe, quando da passagem do ar, durante a respiração. A região da orofaringe está mais relaxada quando a pessoa dorme, alterando o tamanho e a forma do conduto respiratório. Fatores como idade, menopausa, obesidade e gravidez contribuem para aumentar incidência dessa respiração sonora. O ronco é um problema familiar e social, pois incomoda mais quem está dormindo próximo; seu som chega a alcançar altos níveis impedindo que o companheiro (a) tenha um sono tranquilo.
O que preocupa é que o ronco, na maioria das vezes, está associado à apneia obstrutiva do sono, que é um problema silencioso e grave, pois traz sérios riscos à saúde. A apneia obstrutiva do sono é a obstrução completa das vias aéreas pelo colapso dos tecidos da orofaringe, palato mole e dorso da língua, que acontece por cerca de dez segundos, de cinco a dez vezes por hora, durante o sono dos indivíduos que sofrem com o problema. Já a hipopnéia é uma obstrução parcial, que bloqueia a passagem do ar em pelo menos 50%, durante o sono, em cada episódio. Quando o tônus dos tecidos da orofaringe e da língua diminui, eles se aproximam, bloqueando a passagem do ar. Vide Figura 1.

Estudos afirmam que as pessoas com apneia têm 30% mais chance de sofrer enfarto e acidentes vasculares cerebrais. A apneia ou hipoventilação obriga o músculo do coração a trabalhar com sobrecarga, elevando a incidência de doenças cardíacas e o risco de morte.
Ainda, a apneia compromete a função de vários sistemas do organismo, aumentando a ocorrência de hipertensão, obesidade, problemas digestivos, hormonais, vasculares e urológicos. Sintomas físicos, além do ronco alto e do sono agitado e não reparador, podem ser: arritmia cardíaca, cefaléia matinal, noctúria (levantar à noite para urinar), impotência e refluxo gastresofágico noturno.
Como a qualidade do sono é afetada, as pessoas que sofrem desse mal têm uma sonolência diurna excessiva com dificuldade de concentração, o que faz com que as chances de sofrer acidentes automobilísticos e no trabalho elevem-se cerca de sete vezes. São também observadas alterações comportamentais e sociais. Sintomas psicológicos como irritabilidade, depressão, redução da capacidade cognitiva e de aprendizagem, são bem comuns.
O tratamento desta disfunção necessita uma abordagem multidisciplinar. O diagnóstico é feito através do exame clínico e avaliações médicas e odontológicas. A apneia e hipopnéia só podem ser diagnosticadas por um exame chamado polissonografia, normalmente realizada em laboratórios especializados.
O tratamento com aparelho oral é hoje um dos mais indicados e é eficiente na maioria dos casos. Ele posiciona a mandíbula para frente tracionando os tecidos da garganta, aumentando assim, a passagem para o ar; também não deixa que a boca se abra quando a pessoa dorme e relaxa os músculos da mastigação.
O aparelho oral não traz nenhuma mudança permanente, seu uso é semelhante ao dos óculos, pois só funciona quanto se está usando.
Segundo o Primeiro Consenso Brasileiro em Ronco e Apneia do Sono, a indicação e instalação dos aparelhos orais deve ser feita por um profissional de odontologia (dentista) qualificado, com conhecimentos de medicina do sono, disfunções têmporo-mandibular, oclusão dentária e estruturas associadas.
por Ivete Caggiano Perez e Viviana Cristina Martins Faria.
Aparelho Oral:

Outros tipos de aparelhos:


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